Cirurgia para cálculo renal: hoje, na maioria dos casos, não há cortes

Cirurgia para cálculo renal: hoje, na maioria dos casos, não há cortes

Quando falo em cirurgia para cálculo renal, muitos pacientes ainda imaginam procedimentos grandes, com cortes e recuperação prolongada. A boa notícia é que isso mudou.
Atualmente, a maioria dos cálculos renais pode ser tratada sem nenhuma incisão na pele, por meio de técnicas minimamente invasivas.

Como funciona a cirurgia sem cortes?

Na maior parte dos casos, utilizamos o ureterorrenoscópio flexível, um aparelho fino e delicado que entra pela via natural da urina — uretra, bexiga e ureter — até alcançar o cálculo dentro do rim.

Com o auxílio de uma câmera de alta definição, conseguimos visualizar a pedra diretamente. Em seguida, ela é fragmentada com laser, transformando-se em pequenos fragmentos que podem ser retirados ou eliminados naturalmente pelo paciente.

Quando é necessário o uso de cateter?

Em algumas situações, deixamos um cateter ureteral temporário após o procedimento. Ele serve para facilitar a drenagem da urina, reduzir o risco de dor e permitir que o ureter cicatrize adequadamente. Esse cateter é removido posteriormente, de forma simples.

Principais vantagens dessa técnica

A ureterorrenoscopia a laser trouxe benefícios claros em relação às cirurgias tradicionais:

  • Não há cortes na pele
  • Menor dor no pós-operatório
  • Redução do tempo de internação
  • Retorno mais rápido às atividades do dia a dia
  • Alta taxa de sucesso na resolução do cálculo

Além disso, por ser um procedimento preciso, conseguimos tratar cálculos em diferentes regiões do rim e do ureter com segurança.

Um avanço que mudou o tratamento das pedras nos rins

A cirurgia endoscópica a laser representou um divisor de águas no tratamento da litíase urinária. Hoje, conseguimos resolver a maioria dos casos de forma eficaz, com menor impacto na rotina do paciente e excelentes resultados clínicos.

O mais importante é lembrar que cada caso deve ser avaliado individualmente. O tamanho, a localização da pedra, os sintomas e o histórico do paciente orientam a melhor escolha do tratamento.

Referências

  1. Assimos D, et al. Surgical Management of Stones: American Urological Association/Endourological Society Guideline. Journal of Urology. 2016;196(4):1153–1160.
  2. Türk C, et al. EAU Guidelines on Urolithiasis. European Association of Urology. 2023.
  3. Somani BK, et al. Ureteroscopy for stone disease: expanding roles and outcomes. Nature Reviews Urology. 2017;14(9):513–527.
  4. Hyams ES, et al. Flexible ureterorenoscopy and laser lithotripsy for renal stone disease. Urologic Clinics of North America. 2013;40(1):47–57.

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